segunda-feira, 30 de setembro de 2019

#PraQuemIndico 6: COMO NASCE UM PROFESSOR? UMA REFLEXÃO SOBRE O PROCESSO DE INDIVIDUALIZAÇÃO E FORMAÇÃO

Ol@ professorxs! Hoje o #PraQuemIndico é especialmente para vcs :) Espero que gostem e sintam-se aconchegados com esta leitura! Pensem em um livro sem muitos caprichos editoriais, um livro em formato de bolso simples, com menos de 74 páginas excluindo-se aqui as referências, contudo certamente um daqueles livros que vc lê e que lhe atravessa para todo sempre! Então? EsTe É o LiVrO!


Um livro sobre formação de professores que não é chato muito menos entediante. Um livro que te abraça com carinho enquanto propõe uma formação de professores baseada no princípio do amor. A autora é professora, especialista em educação (mestra e doutora) e possui uma vasta experiência com formação de professores. Partindo do pressuposto de que "a aprendizagem não é somente um ato racional", mas, "um ato de amor a si mesmo, de amor à vida e a tudo o que ela abarca", a autora pensa sobre formação de professores a partir de referênciais teóricos que vão além de modelos teóricos que privilegiam a racionalidade técnica, e assim, consegue levar em conta os avanços culturais e as questões relacionadas a subjetividade. 


A autora pontua que "[...] a maioria das práticas formativas baseia-se no fornecimento de recursos teóricos e técnicos aos professores, os professores, por sua vez, parecem não poder ou não desejam utilizar grande parte deles [...]", (p. 14-15). E assim, a partir de usas experiências de observação da trajetórias destes professores ela percebe que precisa rever estas práticas formativas e propõe o encontro com as MATRIZES PEDAGÓGICAS que segundo a autora não representa somente a síntese de seus aprendizados teóricos, mas também suas experiências culturais vivenciadas a partir do lugar de quem aprende.


Deste forma, a autora nos convida a pensar sobre este nosso lugar histórico-social-cultural a partir do que ela chama de MATRIZES PEDAGÓGICAS. Percebemos então que tudo isto se dá no caminho, na travessia mesmo da vida e por isso mesmo a "educação é um processo que não tem fim" (p. 20), e que portanto "[...] não basta também só fazer, mas, pensar o que se faz e sobre o que se faz. [...]" (p 22). E aí?! É  educador e ficou curioso(a) para saber que MATRIZES PEDAGÓGICAS são estas, como estas MATRIZES SIMBÓLICAS são construídas ao longo da vida? E como podem ser modificadas? Corram lá e leiam esta obra calorosa e cheia de amor e descubram! (rsrsr não posso dá spoilerkkkkk) Mas, sigam o coelho!

[...] as matrizes pedagógicas de cada professor não começam a se construir nos cursos de formação, mas estão enraizadas em instâncias muito mais profundas de sua psique e vão ganhando formas pessoais, conforme ele vivencia situações de aprendizagem nas quais foi constelado o Arquétipo do Mestre-Aprendiz, o que ocorre desde o início de sua vida." (p. 28-29)

Ah, e tenham um feliz dia dos professorxs pois está chegando!


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FURLANETTO, Ecleide Cunico. Como nasce um professor? uma reflexão sobre o processo de individualização e formação. São Paulo: Paulus, 2003. (Questões fundamentais da educação).

sábado, 3 de novembro de 2018

#PraQuemIndico 6: A EDUCAÇÃO DOS SENTIDOS

 "Os sentidos! Que prazeres extraordinários eles nos dão! É verdade que em sua situação bruta - antes de sua educação! - os sentidos somente atendem às necessidades elementares de sobrevivência. Um homem faminto não é capaz de fazer distinções sutis entre gostos refinados: angu ou lagosta, tudo é a mesma coisa. Seu corpo vive sob o imperativo bruto do comer. Assim são os sentidos dos animais. Têm apenas uma função prática. São "meios" de vida. Moram na "caixa de ferramentas". Os olhos do gavião não se prestam ao deleite estético de cenários. Eles são ferramentas ópticas para localizar as presas. É bem sabido que os cães têm um alfato agudíssimo. Mas nunca vi um cão usando o seu olfato para deleitar-se com o perfume das flores. Para os cães o olfato tem uma função prática probatória: jamais abocanham um alimento sem cheirá-lo. Assim são os sentidos na sua condição natural. Mas, saindo desta condição bruta da existência, os sentidos se refinam, despregam-se de suas funções práticas e tornam-se sensíveis a prazeres inúteis que até então lhes eram desconhecidos. Os genitais na sua condição animal são ferramentas a serviço da reprodução. Mas na sua função humana amorasa transformam-se em instrumentos de gozo e alegria totalmente inúteis. Educados, os sentidos passam a ser habitantes da "caixa de brinquedos". Pelos sentidos educados, deixamos de "usar" o mundo e passamos a "fazer amor" com o mundo. [...]" (p. 47-48)

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Educação dos sentidos

domingo, 26 de novembro de 2017

O PEQUENO PRÍNCIPE - PARTE II

Segundo a Pesquisa Retratos de Leitura no Brasil,  a "única em âmbito nacional que tem por objetivo conhecer o comportamento leitor e os indicadores de leitura dos brasileiros", segundo o Instituto Pró-livro, leitor é:

[...] aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos 1 livro nos últimos 3 meses.
Assim, partindo desta definição propomos a seguinte enquete: Qual foi o último livro que você leu? Comente no post do blog o nome do livro e do(a) seu(a) autor(a), (vale também postar uma foto da capa) e faça um comentário sobre o texto (conte-nos suas percepções/impressões e ou mesmo elogios ou crítica de obra). Depois compartilhe este post com seus amigos em suas redes sociais. E participe do sorteio desta linda edição de luxo do livro "O pequeno Príncipe" traduzida pelo Frei Betto. 
Participe!


Ah, o sorteiro será realizado no dia 25 de dezembro de 2017. Então se ainda não leu nenhum livro nos últimos três meses corra que ainda dá tempo!


“O CORTE ORÇAMENTÁRIO E A ANOMALIA INSTITUCIONAL ME LEVARAM A PEDIR EXONERAÇÃO DO DLLLB”


O primeiro bibliotecário a assumir a gestão do Departamento do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) do Ministério da Cultura (MinC) pediu exoneração antes do prazo previsto do fim da sua gestão. Após nove (9) meses como gestor do departamento ele fala em entrevista a revista eletrônica Biblioo cultura informacional que os motivos que levaram a sua saída foram: "O corte orçamentário contínuo e o estado de anomalia institucional do DLLLB [...]". Sobre a questão das verbas concordamos com a canção de Djavan:

Pra quem vai tanto dinheiro?
Vai pro homem que recolhe
O imposto
Pois o homem que recolhe
O imposto
É o impostor

Agora, gostaríamos muito de conversar com Brayner para compreender o que ele quis dizer por "anomalia institucional", pois tenho vergonha de interpretar a fala levando em consideração meu repertório psíquico em relação a postura de alguns servidores públicos brasileiros. (eu disse alguns, pois sei que existem exceções). Sobre a o modo como o atual Governo Federal vem tratando a cultura no país considero relevante citar abaixo um pequeno trecho da entrevista concedida pelo bibliotecário:

Em menos de nove meses frente ao DLLLB, enfrentei quatro ministros. Marcelo Calero, já em seus primeiros dias frente a pasta, ressaltou o “cenário caótico” e prometeu trabalhar por um “Ministério de entregas, de resultados, de construção, ou, de forma mais apropriada, de reconstrução.” Roberto Freire defendeu a necessidade de “tornar a pasta elemento de inclusão social”, deixando implícita a necessidade de que as ações culturais deveriam privilegiar os mais pobres, os marginais. O cineasta João Batista de Andrade, por sua vez, desanimado com o corte do orçamento, justificou seu pedido de exoneração do seguinte modo: “É um ministério inviável tratado de forma a inviabilizá-lo ainda mais.” E, finalmente, o atual ministro, em sua cerimônia de posse no Planalto, sob os olhares de Temer e Sarney, trouxe à baila a necessidade da recomposição orçamentária, propondo “um pacto pela reconstrução do MinC”. Ora, só se reconstrói o que foi, outrora, destruído.

Por fim  cabe pensar em meio a tamanha falta de consistência política-administrativa é possível sonhar e realizar?

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

#PraQuemIndico 5: O PEQUENO PRÍNCIPE - PARTE I

Infelizmente na minha infância eu não fui incentivada a ler livros. E talvez eu já seja adulta demais para compreender a mensagem de  O PEQUENO PRÍNCIPE sozinha, visto que para Saint-Exupéry "os adultos nunca entendem nada sozinhos"[1]. Assim, devo imediatamente confessar que, de imediato, a obra não me causou um grande impacto, a não ser pelo que eu chamarei de antropologia-filosófica presente na obra do início ao fim.


Mas, como após todo bom clássico, segue-se um posfácio (e diga-se de passagem, que neste quesito a editora Zahar está de parabéns pela colocação deste nesta edição de bolso), após a leitura do mesmo cheguei ao seguinte pensamento: o sucesso da obra se deveu muito mais pelas percepções e hermenêuticas dos seus leitores do que pelos seus desenhos em si, isto para não dizer pela obra em si, visto que não quero causar. Aliás, pensando bem, o que esperar de um livro escrito por encomenda e ilustrado sobre forte pressão do mercado editorial norte-americano para ser publicado/lançado no natal de um ano difícil da Segunda Guerra Mundial (1942), quando seu escritor se sentia acovardado justamente por estar exilado ao tentar se refugiar dos malefícios deste triste acontecimento da história do homem adulto ocidental?


Bom, não fiquem bravos com a opinião de uma adulta sobre um livro em que o autor pediu desculpas por não tê-lo dedicado a uma criança, "peço desculpas por dedicar este livro a um adulto"[2], mas este é o risco que corremos quando lemos os clássicos, pois eles nunca vem a nós sozinhos. Vem sempre acompanhados por uma multidão de vozes às vezes tradicionais. Contudo, que graça teria a leitura de um clássico se não o desafio de percebe-lo e a coragem de se dizer o que se percebeu?

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O pequeno príncipe


Aguarde, parte II.








[1] SAINT-EXUPÉRY, Antoine. O pequeno príncipe. Tradução: André Telles e Rodrigo Lacerda. Rio de Janeiro: Zahar, 2015, p. 15.
[2] SAINT-EXUPÉRY, p. s/n, dedicatória.



domingo, 6 de agosto de 2017

BIBLIOVAGAS

Ol@ pessoal, quanto tempo eu não passava por aqui!


Estou numa correria louca de sala de aula, tanto quanto estudante como quanto educadora. Estou sem tempo para fazer a gestão dos conteúdos que eu gostaria de compartilhar com vocês. Contudo, entre um planejamento e outro corri aqui para deixar uma dica bem bacana para os estudantes tanto de cursos Técnicos como de Graduação nas áreas de Biblioteconomia, Museologia, e ou Arquivologia que por ventura estejam buscando por oportunidade trabalho/emprego nestas respectivas áreas. 

Um site super bacana para seguir é o BIBLIOVAGAS do nosso colega de profissão Nelson Oliveira! O site divulga vagas de estágios, empregos, concursos e eventos, em todo o Brasil para Bibliotecários, Arquivistas, Museólogos e para os estudantes destas áreas. As informações são retiradas de sites, anúncios de jornais, ou recebidas por e-mail. Não funciona como uma agência de emprego, nem intermedia vagas, contudo atua com a Disseminação Seletiva de Informação para este público de profissionais tão específicos e importante dentro do contexto de uma economia em rede baseada em informações.

Assim, o mesmo funciona como uma FONTE DE INFORMAÇÃO importantíssima que mantem informados os interessados em grandes e novas oportunidades profissionais super bem antenados nas oportunidades de emprego/trabalho que aparecem no mercado.

Fica a dica. Agora é só correr lá e dá um laike!






http://www.bibliovagas.com.br/


domingo, 20 de novembro de 2016

#PraQuemIndico 4: AS CONTRIBUIÇÕES DE DERECK LANGRIDGE SOBRE AS GRANDES QUESTÕES RELATIVAS AO PROCESSO DE CLASSIFICAÇÃO

Super dica de leitura para Bibliotecários e ou profissionais que lidam com a organização da informação!




Um pouco sobre o autor

Derek Langridge foi conferencista titular de uma escola/faculdade de biblioteconomia do Norte de Londres. Além de ter feito parte do grupo de pesquisas – “Classification Research Group” (CRG) – que contribuiu para um melhoramento ou ampliação da teoria da classificação de S. R. Ranganathan. Foi professor na Inglaterra, nos EUA e no Brasil[1]. E é considerado pela comunidade acadêmica brasileira atual, assim como é Lancaster[2], como um dos principais especialistas nos problemas relacionados com a Classificação do conhecimento[3].


Um pouco sobre a obra

Esta obra foi publicada pelo autor no ano de 1973, e foi traduzida para o português no ano de 1977 por Rosali Fernandez de Souza. Em uma época que a própria tradutora pontua na apresentação da obra, que “[...] a literatura sobre a classificação em língua portuguesa ainda [...]” estava em fase de estabelecimento. Neste sentido, consideramos necessário pontuar, a importância histórica da tradução da obra não somente para o contexto brasileiro mais também para todos os países que adotam a Língua Portuguesa de modo oficializado. Sobre a tradutora consideramos ainda relevante pontuar, que atualmente a mesma, é pesquisadora titular do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência de Tecnologia (IBICT) – e professora do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação desde 1982, pela mesma instituição, tendo concluído seu doutoramento na Inglaterra em 1984, na mesma faculdade onde Derek Langridge foi conferencista titular. Foi também aluna do escritor quando cursou seu mestrado no Brasil em uma época que o IBICT ainda se chamava Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação – IBBD. Além de inda ser atuante na área da Ciência da Informação, no que se concerne a Organização e Representação do Conhecimento e da Informação[4].


Um pouco mais sobre a tradução

Sobre a tradução, consideramos relevante destacar que atualmente no Brasil a obra é amplamente referenciada pelos pesquisadores e estudantes de Biblioteconomia e Ciência da Informação, principalmente no que se refere ao seu prólogo, onde o autor por meio de um tipo ideal, no caso um casal fictício, problematiza as questões relativas aos processos de Organização e Classificação em todas as esferas da vida cotidiana. Neste prólogo, fica evidente que o autor procura convencer os seus leitores que o processo de Classificação e Organização são processos que fazem parte de modo natural das nossas vivências cotidianas e estão presentes no dia-a-dia em todas as nossas atividades. Obviamente, que cabem aqui profundas reflexões. Sendo que estas precisam acontecer levando-se em consideração as questões levantadas pela Filosofia do Conhecimento ou da Ciência, além das problematizações que nos trás a Psicologia Social e a Neurociência, pois sabemos que apesar da naturalidade em que se dão estes processos de Classificação e Organização das coisas no nosso cotidiano, eles não acontecem de modo simples e automático nos sujeitos, contudo são processos complexos que precisam ser considerados, levantando-se também as questões cognitivas e sócio-culturais nas quais eles estão lincadas e estruturadas.


Algumas reflexões gerais

Para Langridge os esquemas de classificação podem ser GERAIS ou ESPECIALIZADOS, no que se refere à classificação geral, esta, segundo o autor, tem relação com “à cobertura de assunto”, ou seja, os esquemas de classificação “existentes foram elaborados conscientes ou inconscientes, para uma determinada época e de alguma forma para uma determinada cultura”. E no que se refere à classificação “especializada”, esta segundo Langridge, “têm um assunto CENTRAL [...] e assuntos PERIFÉRICOS [...]”. Deste modo, a fim de exemplificar o autor nos diz que na Biblioteconomia um “assunto central” são as bibliotecas e suas atividades, e um “assunto periférico” seria a bibliografia[1]. Desde modo, poderíamos acrescentar, conforme estamos estudando nesta disciplina, que desde as classificações de Aristóteles, passando pelas classificações das ciências feitas por Francis Bacon até chegarmos à classificação decimal de Melvin Dewey (1851- 1931), ou a classificação de Ranganathan entre 1933 e 1960, temos uma longa história de contribuições e fundamentações teóricas no que se concerne a Organização da Informação[2]. Sendo que, os esquemas de classificações adotados por um determinado grupo social sempre vão atender de alguma forma aquela dada comunidade. E estes esquemas, conforme anteriormente mencionado por meio de Langridge (1977) podem ser conscientes ou inconscientes. Outro ponto observado pelo autor, é que no âmbito da Biblioteconomia, os esquemas gerais “são elaborados especialmente para bibliotecas públicas, bibliotecas acadêmicas e bibliografias nacionais”. Já os esquemas especializados “são elaborados para aquelas bibliotecas que enfatizam uma área de conhecimento ou servem a um grupo especial de pessoas”.


Reflexões conclusivas

Levando em consideração a relevância histórica desta tradução para o contexto brasileiro e sua importância em termos de citações em pesquisa acadêmico-universitárias, nas áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação, que cabe urgentemente uma reflexão profunda do seu respectivo autor e suas influências teórico-metodológicas, além de uma volta a fonte/obra a fim de repensarmos de modo profundo todas as questões levantadas e problematizadas pelo autor no que se refere à temática da Classificação e Organização da Informação e do Conhecimento, a fim de pautarmos nossas futuras pesquisas e reflexões em uma base teórico-epistemológica profunda e sólida. 




[1] Entendemos que cabe aqui uma profunda reflexão sobre aquela antiga concepção da Biblioteconomia apenas como uma área do conhecimento humano, atrelada e focada nas Unidades de Informação.
[2]  CAFÉ, Lígia Maria Arruda; SALES Rodrigo de. Organização da Informação: Conceitos básicos e breve fundamentação teórica, In: Jaime Robredo; Maria Bräscher (Orgs.). Passeios no Bosque da Informação: Estudos sobre Representação e Organização da Informação e do Conhecimento. Brasília DF: IBICT, 2010. 335 p. Capítulo 6, p. 115 – 129. Edição eletrônica. (Edição comemorativa dos 10 anos do Grupo de Pesquisa EROIC). Disponível em: <http://repositorio.ibict.br/bitstream/123456789/36/1/eroic.pdf> Acesso em: 8 out. 2015.






[1] LANGRIDGE, Derek. Classificação: abordagem para estudantes de biblioteconomia. Rio de Janeiro: Interciência, 1977. 1° Reimpressão, 2006.
[2] ARAÚJO, Alberto Ávila, et al. A contribuição de F, W. Lancaster para a ciência da informação no Brasil. Pontodeacesso: Salvador, v. 3, n. 2, p. 132 -146, ago. 2009. Disponível em: <http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaici/article/view/3355/2614> Acesso em: 8 out. 2015.
[3] Contudo, no processo de preparação para este seminário não foi possível encontrar para fins de averiguação fontes confiáveis que nos trouxesse informações relevantes para preparação de um resumo biográfico sobre a vida do pesquisador.
[4] LANGRIDGE, 1997, p. 1- 4.

O CONHECIMENTO É UM PRODUTO OU UM BEM SOCIAL COMUM A QUE TODOS TÊM DIREITO?

Após a leitura do capítulo VII, da obra: Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot do escritor Peter Burke é inevitável que algumas questões se apresentem à nossa mente: Vivemos nós em uma sociedade da informação? A nossa economia atual é baseada no conhecimento? O acesso à informação contribui de modo considerável para gerar economias desenvolvidas? O conhecimento é um produto ou um bem comum a que todos têm direito?



Deste modo, neste capítulo, Burke sem pretender negar a importância das tendências recentes da comercialização da informação, trabalha seu texto no sentido de fazer com que seu leitor perceba que esta tendência recente é fruto de um processo gradual e histórico de longo prazo, que se iniciou ainda na antiguidade com Platão e os sofistas, passando pelo renascimento até chegar a noção de “lei de direito autoral” que o autor data como de origem britânica do século XVIII, mais precisamente em 1709. Assim, Peter lança seu olhar de modo panorâmico, a fim de nos levar a perceber que o comercio do conhecimento é pelo menos tão antigo, como a crítica de Platão aos sofistas por esta prática.

Ele nos escreve o seguinte: “No que diz respeito à propriedade intelectual, o movimento hoje conhecido como “revolução científica” revela não só ambiguidade, mais ambivalência”, pois “de um lado, o ideal de tornar público o conhecimento para o bem geral da humanidade” é “levado muito a sério, De outro, é impossível ignorar a realidade das ásperas disputas sobre propriedades em descobertas que iam do telescópio ao cálculo”. (BURKE, p. 137 – 138)

Assim, Peter nos faz pensar na relação entre estas duas esferas como uma via de mão dupla, ou seja, o conhecimento como efeito da ascensão do capital na superestrutura cultural, mais também os efeitos do conhecimento sobre a economia de modo substancial. (BURKE, p. 140) 

O texto de Peter, neste sentido de modo magistral, passa pela Idade Média enfatizando o nascimento da propriedade intelectual no final do medievo. E nos escreve ser necessário distinguir duas concepções distintas no modo de se entender o texto, ou seja, em toda a Idade Média lidava-se com o texto dentro de uma concepção coletivista, onde até mesmo os escribas que copiavam os textos se sentiam livre para fazer os seus acréscimos e alterações, contudo com o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna, entra em cena, estimulada pela possibilidade de impressão, uma nova concepção, a concepção individualista do texto, onde este é visto como propriedade de um indivíduo. Contudo segundo o autor, a ideia de propriedade comum é certamente ambígua, pois é necessário se perguntar “comum a quem?”, pois comum sempre será comum a partir de um determinado grupo e nunca de um todo.

Peter também trabalha um pouco no texto a noção de espionagem industrial, enfatizando aqui o modo como o conhecimento dos ofícios migrava junto com os trabalhadores de um lugar para o outro e assim as informações sobre o funcionamento das máquinas e ou o modo de fazer um determinado produto circulava de modo a gerar um comércio da informação, fazendo com que, nas palavras do escritor, “as rotas do comércio” se tornassem “rotas de papel e os fluxos de comércio”, “fluxos de informação” (BURKE, p. 141)

Neste contexto de circulação de informações de mercado que podiam ser imensamente lucrativas que o autor dispensa boa parte do seu texto para descrever sobre a VOC (Vereenigte Ost-Indische Compagnie), que segundo o autor é descrita na literatura como uma multinacional, com requisitos informacionais não muito diferentes dos requisitos utilizados pelos grandes impérios. Assim, em pleno século XVII e XVIII, por meio da sua produção de mapas manuscritos, tinham acesso a informações tão secretas que tinham que jurar diante das autoridades que não imprimiriam estas informações e nem revelariam a ninguém ao menos que este alguém fizesse parte da companhia. (BURKE, p. 143)

É neste contexto também, que segundo o autor, surgem às primeiras bolsas de valores que eram nada mais nada menos que instituições para troca de informações, isto já em meados do século XV. (BURKE, p. 144) Contudo é com a impressão que o comercio do conhecimento fica mais visível e se proliferam as informações comerciais e as feiras de negócios (BURKE, p. 145), sendo que Veneza no século XVI, Amsterdã no século XVII e Londres no século XVIII, serão descritas no texto como importantes centros editoriais (BURKE 145 – 151).

E para finalizar Peter escreve sobre as revistas, os jornais e as obras de referências, sendo que esta última será considerada pelo autor, como uma maneira daquele tempo, ao seu modo, tentar resolver os problemas relativos ao que chamamos hoje de recuperação da informação. (BURKE, p. 153). E a guisa de conclusão ele nos escreve:
Nos primórdios da Europa moderna, [...], o conhecimento estava ligado cada vez mais intimamente à produção via impressão, e isso levou a um sistema de conhecimento mais aberto. A invenção da prensa tipográfica efetivamente criou um novo grupo social com interesse em tornar público o conhecimento. Isso não quer dizer que a informação se tornou pública apenas por razões econômicas; [...], rivalidades políticas às vezes levavam um governo a revelar os segredos de outro. Ainda assim, o mercado de informações cresceu em importância ao longo do período. (BURKE, P. 158)
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Uma história social do conhecimento

EM UMA SOCIEDADE PLURAL QUAL A IMPORTÂNCIA DO DIÁLOGO E DA CONVIVÊNCIA ENTRE OS DESIGUAIS?


Crash – no limite, é um filme dirigido pelo produtor e diretor de cinema e televisão Paul Edward Haggis. Um drama que foi lançado internacionalmente no ano de 2005, contudo que estreou em um festival de cinema canadense em 2004. Disto isto, poderíamos concluir que se trata já de um filme antigo. Até poderíamos... se o tema abordado na trama dramática da sociedade retratada não fosse tão atual e pertinente, a saber, os preconceitos. 




Toda a história se passa na cidade de Los Angeles nos EUA, e a questão dos preconceitos é abordada não de modo costumeiramente comum com ênfase na bipolaridade preto e branco, como se a única forma de preconceito existente em uma dada sociedade fosse somente o preconceito racial, mais antes, por meio de cada personagem somos levados a problematizar e perceber como são complexas as questões que envolvem as situações relativas aos preconceitos, já que parece mesmo existir tantos preconceitos quanto humanos existir. Outra questão bem apontada por meio da trama são as questões relativas às estruturas sociais complexas que envolvem esta problemática dos preconceitos e o quanto estas questões perpassam estritamente por nossas vivências existenciais. 

O jovem policial branco, por exemplo, nos faz problematizar o quanto até mesmo aqueles que eticamente parecem estar comprometidos em romper com estas estruturas sociais podem se deparar com situações existenciais que revela claramente o quanto ainda estão cegos em sua maneira de categorizar as coisas. Este personagem, protagoniza uma das cenas mais emblemáticas do filme, ao matar em seu carro, após conceder carona, um jovem negro; sendo movido quase que basicamente pelos estereótipos que fazia da sua vítima. Parece que ficou evidente por meio desta cena o que nenhum espectador esperava daquele personagem.

A rica esposa de um político influente, e a esposa negra do cineasta, também nos mostram o quanto as circunstâncias existências de nossas vidas contribuem para que estereótipos e preconceitos sejam alterados por meios de circunstâncias existenciais e acidentais de nossas vivências. 

Um ponto negativo do filme, em minha opinião, foi ter sido reforçado, por meio de um personagem negro, que os mesmos são exagerados em relação às questões relativas ao preconceito racial. Criou-se uma caricatura de situações exageradas e as transformou em falas que foram colocadas na boca deste personagem negro. Reforçando aquela velha violência simbólica de que: alguns negros exageram demais em relação às preconceitos raciais, ou ainda, tem negro que acha que tudo é preconceito. Nota zero, para a trama neste ponto.

Contudo, ao tirar pela primeira frase narrada logo no início do filme: “Em Los Angeles ninguém se toca. Estamos sempre atrás do metal e do vidro”, acredito que o filme já tenha contribuído bastante para a seguinte problematização: Em uma sociedade plural qual a importância do diálogo e da convivência entre os desiguais? Pois, somente construindo novas vivências existenciais firmadas em diálogo constante é que conseguiremos desconstruir aos poucos velhas estruturas sociais.

AS INSATISFAÇÕES SOCIAIS COMO PRESSUPOSTOS PRIMÁRIOS PARA OS REGIMES TOTALITÁRIOS





O filme A ONDA – é um drama e ou suspense alemão de 2008, dirigido por Dennis Gansel. Diretor, escritor e ator de cinema na Alemanha, nascido em 1973. É um filme inspirado no livro Todd Strasser, obra de um grande escritor romancista dos Estados Unidos – EUA. E o livro é inspirado em fatos reais ocorridos em uma escola na Califórnia nos EUA em 1967, na cidade Palo Alto.


O fio condutor da trama é a experiência didática pedagógica feita pelo personagem/professor Rainer Wegner. Professor do Ensino Médio que com o intuito de ensinar aos seus alunos sobre os regimes políticos totalitários, e que estando em um ambiente escolar propício para isto, pois a escola tinha como Projeto Político Pedagógico trabalhar os temas dentro de uma proposta diferenciada, ele se envolve em um experimento que poderia levar os seus alunos a compreenderem como algumas características destes governos ainda estão bem vivas nos dias atuais.


Assim, partindo deste fio condutor de possibilidades didáticas estratégicas e também dos questionamentos dos próprios alunos de que não seria possível naquele contexto retratado no filme a ascensão do nazismo/fascismo novamente, o filme problematiza questões como “o poder da unidade”, da “disciplina”, da “força” em momentos ameaçadores. E nos faz problematizar a seguinte questão: como ideologias e propósitos de uma única pessoa ou de certos grupos, em determinados momentos, podem servir como plataformas de manipulação de uma massa tão diversa? Ou seja, o que fez com que o nazismo na Alemanha entre 1934-1945 exterminasse mais de 10 milhões nos campos de concentração? (Bom, quando levamos em consideração que menos de 10 por cento desta dada sociedade era nazista, ficamos ainda mais impressionados.)


Outro aspecto interessante no filme é a questão das personalidades e vivências dos adolescentes e as questões relativas à psicologia social, pois apesar do movimento da onda ter influenciado praticamente toda comunidade escolar, é importante observar por meio do filme a participação de cada um neste processo, começando pelo professor que tinha uma capacidade incrível para envolver seus alunos na atividade proposta, até Tim, aquele aluno que vê na experiência uma possibilidade incrível de ser aceito pelo grupo, o que nunca ocorrera antes em sua vida. E Mona, uma aluna que desde o início se mostra contra o movimento da Onda e lidera um movimento de oposição. 

Um filme que realmente nos faz pensar e problematizar muitas questões pertinentes e presentes à realidade política brasileira na atualidade. E que nos faz perceber o quando as ideologias atreladas às insatisfações coletivas-sociais podem ser um prato potrificado onde se gestam os governos totalitários. 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

PARABÉNS ARTE-EDUCADORES!

Estava eu aqui a trabalhar em um artigo que pretendo apresentar como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) para pós-graduação. Quando de repente, entre uma leitura e outra para relaxamento, fui agraciada com uma pérola! (por meio da rede social mais famosa do momento, o FACEBOOK)

A notícia-pérola que me chegou foi que: ontem dia 23 de fevereiro de 2016, foi aprovada pela Comissão de Educação e Esporte (CE) o Projeto de Lei  (PL) de 2010, a PL 7.032/2010 que tinha a proposta de alterar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996, (LDB/96) no que se concerne aos aspectos que versavam sobre o ENSINO DE ARTES nos contextos escolares. Assim, a notícia me deixou imensamente feliz; por dois motivos: 

Primeiro; a notícia me chega justamente na manhã do meu primeiro dia de trabalho na produção de um artigo onde parto da hipótese de que música é uma forma de linguagem que se manifesta e expressa de modo antropológico-cultural, em relação de diálogos e oposições nas vivencias dos sujeitos históricos nos seus meios sociais, e que portanto se partirmos de uma concepção educativa-pedagógica progressista-libertária de educação (de modo consciente) a música em diálogo com outras disciplinas (neste caso o ensino religioso escolar) dentro dos espaços formais de ensino-aprendizagem poderiam colaborar de modo efetivo para a transformação destes ambientes, resultando assim em práticas educativas inovadoras e transformadoras. Sendo assim, esta notícia colabora efetivamente com minhas hipóteses!

Segundo; a notícia me deixa feliz por saber que esta alteração legal de hoje abre espaço para que muitos estudantes de licenciatura amanhã possam ter merecidamente seus espaços garantidos dentro dos ambientes formais de ensino-aprendizagem e assim a possibilidade um um trabalho mais comprometido aumentam consideravelmente. Parabéns para vocês arte-educadores! E que esta não seja apenas mais uma alteração visando espaço de mercado-profissional, mas que os futuros docentes-artistas após ocuparem estes postos realmente façam a diferença. 








terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

#PraQuemIndico 3: JOHANNES ANGLICUS: UMA PAPISA!

Um filme triste. Mas dada a sua relevância reflexiva, um filmaço!



Um filmaço que nos faz refletir profundamente sobre as questões relativas a OPRESSÃO DA MULHER pelas sociedades ao longo dos tempos. O filme termina e você prossegue com algumas interrogações: Por que as mulheres ao longo dos tempos foram tão oprimidas e perseguidas pela maioria das sociedades constituídas? E as religiões? Por que a maioria delas (ou poderia aqui sem medo dizer todas) mantêm discursos que inviabilizam a atuação das mulheres? A opressão imposta pela sociedade às mulheres é sempre baseada nos discursos religiosos?

Questão para refletir:Por que os homens nos temem?





quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

DAS LEITURAS DE HOJE!


Existe uma velha briga na academia, entre os críticos literários, sobre as questões relativas ao processos de leitura. Muitos ainda ficam brigando em torno de questões metafísicas do tipo o que é. Contudo, hoje quero falar sobre algumas leituras que a vida nossa de cada instante nos traz. Quero falar, mesmo sabendo que alguns críticos poderão gargalhar por compreenderem a leitura apenas como um processo de decodificação de códigos. É óbvio que ao registar aqui estas leituras vividas e observadas no meu cotidiano existencial já estou a confessar uma certa aproximação a algumas determinadas tendências teóricas que são basilares em alguns discursos sobre a leitura, e assim necessariamente abro mão de outras tendências...


Pois bem, uma simples caminhada até uma unidade de saúde local foi o suficiente para provocar profundas reflexões, que sei ser "minhas" leituras deste espaço social. Espaço social de lutas diga-se de passagem. Luta, que fica expressa no cartaz de boas vindas anexado na entrada do local. Um trecho do artigo 331 do nosso código penal:


"Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa."

Em outras palavras: SEJAM BEM VINDOS, SÓ QUE NÃO! Enfim, além desta primeira leitura inicial, a postura de alguns profissionais e de alguns usuários destes serviços também me chocaram. Mas, confesso que as atitudes de alguns me chocaram mais que de outros. E isto certamente, porque geralmente esperamos muito mais de quem muito mais estudou. 

É óbvio que isto já provoca muitas outras questões que parecem evidenciar na existência real das coisas, que escolarização num tem muita relação com educação. E aqui abro um parentese para esclarecer que não sou daquelas(es) que defendem que educação se recebe em casa somente. Mas, confesso que possuo uma certa tendência e ou inclinação a compreender o conceito de EDUCAÇÃO a partir de uma perspectiva social profunda que está enraizada mesmo em processos complexos da construção de determinadas sociedades. Assim posto. Preciso continuar...

OS SISTEMAS foram programados para organizar e funcionar. Na cabeça do cineasta roteirista e produtor de "Tropa de Elite", ele é FODA. Contudo, eu sou daquelas que ainda tenho esperanças que ele pode não ser. É utópico? Sim! Mas, depende quase sempre de nós para que saia do mundo das esperanças. Depende de uma ação conjunta dos controladores, programadores e usuários desta rede de interações e conexões existenciais. (eu disse quase)


Voltando aos profissionais, penso que neste processo, e esta é uma leitura minha. Nós podemos quebrar a distopia desta engrenagem, nós os humanos. E quebrar mesmo se necessário a própria engrenagem. O problema maior que percebo por meio das minhas leituras, é que serviço público virou sinônimo de estagnação, acomodação. Um espaço social de trabalho organizado a partir das teorias administrativas burocráticas para não se fazer funcionar conforme a demanda. Um espaço para não se fazer nada, para receber no fim do mês e se aposentar com tranquilidade razoavelmente bem se comparado aos resto dos mortais trabalhadores brasileiros. TRISTE, LASTIMÁVEL. É obvio, que existe uma minoria de servidores competentes nestes locais sendo esmagados por uma maioria insuportável até de observar de longe. Leio a realidade consciente de que as generalizações também não nos levam a nada.

LeItUaS NoSsA dE CaDa DiA dOs NoSsOs InStAnTeS De HoJe. "É PrEcIsO aMaR aS pEsSoAs cOmO sE nÃo HoUvEsSe O aMaNhÃ... pQ sE vC pArAr PaRa" LER :(



Por Márcia Souza



terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

ESTE ANO EU TENHO UMA META!

Este ano tenho uma meta. Ler alguns clássicos da área da educação. E penso que comecei bem, pois só em janeiro concluir dois clássicos apesar da correria para concluir um projeto de pesquisa da pós-lato. Eu sou educadora e tenho sentindo muito a necessidade destas leituras. 

Confesso, que em alguns momentos na sala dos professores, chego a pensar: não é possível que eu estou ouvindo isto!... Ou ainda: onde este ser estava durante os 4 ou 3 anos de sua formação? - tenho certeza mais que absoluta durante estes devaneios que os mesmos não passaram em momento algum por um processo de ensino-aprendizagem sobre as questões relativas ao maravilhoso universo da história do conhecimento; só pode! - Depois que a gente começa ler. Ler estudando, isto é: refletindo sobre o que leu, fazendo as devidas críticas necessárias, registrando suas impressões por meio de fichamentos para checar mais tarde, buscando mais informações sobre o assunto, o autor e o contexto sócio-cultural e político da obra lida; a gente acaba chegando a algumas conclusões. Neste caso óbvias, a saber, o estado deplorável dos espaços escolares é muitooooooooooooooooooooooo mais grave do que a gente imaginava. 

Eu desconfiava, mas agora após estas leituras eu tenho certeza absoluta que a esmagadora maioria dos educadores não fazem a mínima ideia do que seja "CONCEPÇÃO PEDAGÓGICA". E isto é gravíssimo, pois acabam misturando métodos e teorias, em suas práticas educativas, que nasceram teoricamente devido a práticas totalmente conflitantes do modo de se conceber a escola, o docente, o discente e etc... E isto acaba por gerar dentro dos espaços de aprendizagem um monstro perigoso, pois não gera resultados satisfatórios em relação ao ensino-aprendizagem. E acrescento aqui, que com resultados satisfatórios não quero afirmar que este é o fim de um processo de ensino-aprendizagem; alcançar resultados satisfatórios. Contudo os resultados que queremos passam por nossas concepções de como compreendemos o processo educacional e de como nos vemos dentro desta engrenagem. - Ah, como é triste isto! Perceber que os sistemas escolares de ensino viraram uma engrenagem monstruosa e perigosa. 

Eu gostaria que minhas férias escolares não terminassem esta semana, pois descobrir que AS FÉRIAS É A ÉPOCA MAIS GOSTOSA DE ESTUDAR! Nesta época a gente pode estudar o que realmente nos importa e o que gostaríamos de saber. Bom, nem preciso dizer que esta constatação já desnuda o estado atual dos nossos espaços escolares, neles os alunos(a) não sentem prazer pela busca do conhecimento. Parece mesmo que nos ensinam apenas o funcional. 

Vocês devem estar bem curiosos para saber os livros que li. Então vai aí a super dica: A escola Moderna de Francisco Ferrer Y Guàrdia (vale ressaltar aqui que a grafia do nome dele varia bastante na literatura). E a obra: Educador, educador, educador de Madalena Freire, filha de Paulo Freire. A escolha das obras foi baseada em dois critérios: primeiro são clássicos. Segundo ambos os educadores são radicalmente diferentes em relação as suas concepções pedagógicas. Assim, esperava conhecer e me surpreender. E foi bingo! 

Entre as duas concepções pedagógicas fico com a concepção praticada por FERRER, a CONCEPÇÃO LIBERTÁRIA. Mas, sugiro que quem trabalha com a Educação Infantil conheça e leia sobre a CONCEPÇÃO DEMOCRÁTICA praticada no Brasil nesta etapa escolar pela educadora Madalena Freire. Uma concepção baseada nos acordos e diálogos estabelecidos pelo grupo. Ah, só pra constar ambas são concepções progressistas!


E O EDUCADOR QUE FIZER O EXERCÍCIO DE LER VAI SE SURPREENDER COM A HISTÓRIA OCULTADA DA CONCEPÇÃO LIBERTÁRIA DE EDUCAÇÃO, FICA A DICA.


Todos juntos pela educação!
:)



quarta-feira, 11 de março de 2015

VAMOS BRINCAR? O JOGO É ASSIM...


A professora falou para Joãozinho:
- Joãozinho, a brincadeira é a seguinte: Eu aponto e você responde me dizendo o que é. 
- Fácil, muito fácil. Respondeu João.

A professora apontou para a mesa e perguntou:
- O que é isto Joãozinho?
- Mesa, professora!
A professora disse: Não é mesa Joãozinho. É informação!
Tá bom, disse Joãozinho.
... e passaram-se muitos dias. 

E de novo a professora perguntou, apontado para a cadeira.
- O que é isso João?
- Cadeira, professora.
Já disse que não é mesa, nem cadeira. São informações.
E Joãozinho que não era bobo, apenas sorriu. Desmonstrando desta vez ter compreendido a regra do jogo. E a professora acrescentou:
- Agora que já entendeu esta parte, vamos para próxima. Valore bastante esta informação, faça um embrulho bem bonito para ela. Depois, produza no outro a necessidade desta informação e não de outra, esta é a informação que seu cliente precisa e quer. Agora venda esta informação pelo preço que quiser.

... e lá se foram 4 anos assim. 
Joãozinho entendeu as regras do jogo e acertava todas. E foi considerado o melhor aluno da classe.

No último dia do jogo, Joãozinho querendo ser sociável, levou um belo embrulho para professora, era um presente. E ela perguntou:
- O que é isto Joãozinho? 
Ele disse:
- Informação.

Muitos anos se passaram depois do ocorrido. Contudo, reza a lenda que a professora nunca abriu o embrulho. Demonstrando que no fundo no fundo, até ela tinha dúvidas em relação aos modos valorativos da brincadeira.



segunda-feira, 2 de março de 2015

#PraQuemIndico 2: A GRANDE FÁBRICA DE PALAVRAS




Imaginem um lugar onde as palavras NÃO precisam ser pensadas para serem pronunciadas... (qualquer semelhança com o lugar onde você está é mera coincidência rsrsr). Neste estranho país, ao invés, as palavras precisam ser compradas, engolidas para depois proferidas/pronunciadas. Devido ao poder de compra, as palavras neste país não são banalizadas! (pois, as mais úteis e mais importantes são também as mais caras). Contudo, há algo de terrível neste lugar. A grande fábrica de palavras trabalha sem parar, porém nem todos têm dinheiro para comprar as palavras das quais mais precisam. E isto, obriga necessariamente a uma divisão entre os habitantes deste estranho lugar.


... Uns falam mais do que outros, neste país onde sai caro falar. Os mais pobres catam palavras no lixo, mais como elas precisam ser engolidas para depois pronunciadas, muitas acabam por não serem aproveitadas.

(Eu acho que os moradores deste lugar inventaram/desenvolveram para eles inúmeras maneiras criativas de se comunicarem! Os gestos, as expressões faciais e o contado físico, neste lugar, certamente possui um valor de importância que nós, acostumados a esbanjar palavras desnecessariamente, jamais poderíamos imaginar)


Mais o fato é que todos neste país aguardam a chegada da primavera! Nesta época a grande fábrica de palavras trabalha a todo vapor e os estabelecimentos comerciais fazem inúmeras promoções de palavras. É nesta época, que a grande maioria pode falar, porém, é um desafio encontrar palavras que sejam realmente úteis e relevantes. O que fazer com aquelas palavras que utilizamos na vida pouquíssimas vezes? Aquelas do tipo... ventríloco, por exemplo? (Ah, as crianças nesta época do ano são um espetáculo a parte! Com suas redinhas de apanhar borboletas vão para as janelas tentar pegar as palavras que voam pelas chaminés da grande fábrica!)


É claro que para esta história terminar perfeita, entre uma palavra e outra, aparece uma linda história de amor. Que por alguns momentos imaginamos que jamais daria certo devido a grande escassez de palavras. Contudo, é com uma palavra comum e extremamente insignificante fora do seu contexto que termina esta belíssima obra infantil. Infantil?
Vale muito a pena ler, as ilustrações são um espetáculo a parte!


LEIA PARA UMA CRIANÇA.:) 



sábado, 21 de fevereiro de 2015

EM MEIO A GUERRA A INFORMAÇÃO PODERIA SE TORNAR UMA ESPIÃ INVISÍVEL?




No semestre passado, primeiro período do curso de Biblioteconomia, tivemos uma disciplina intitulada TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, e a professora foi brilhante em seu ofício! (apesar da falta de didática rsrs). As aulas foram divididas entre teóricas e práticas, e as aulas em laboratório foram bem produtivas, apesar de nós os alunos. Tivemos contato com o PLONE, um sistema de gerenciamento de conteúdo, extremamente eficiente e funcional para a construção de portais de informação. Um sistema razoavelmente fácil de usar, adaptável em praticamente a qualquer hardware e o melhor, um software livre!

... mas no entanto, o que me traz aqui é a seguinte questão: O TEMPO E A INFORMAÇÃO: QUAL O PREÇO VOCÊ PAGARIA PARA ACESSAR SUA INFORMAÇÃO DESEJADA? E O QUE VOCÊ FARIA PARA TER ACESSO A ESTA INFORMAÇÃO PRIVILEGIADA? É claro que elaborei a pergunta de modo valorativo para provocar. Contudo quando se trata de informação e dizem que vivemos na era da informação e em uma sociedade em redes. E é claro que eu me pergunto: em redes para quem? Pois no meu mundo existe sim hierarquias... vale a pena provocar. 

E para pensarmos um pouco proponho um nome: ALAN TURING, afinal foram seis meses de segunda a sexta, ouvindo este nome de modo quase que ininterruptos nas aulas de Tecnologia da Informação. Não tinha jeito, em praticamente todos os artigos e todas as aulas da disciplina o nome dele estava lá. Um jovem matemático lógico e Britânico, considerando por quase todos da CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO, (lembrando que nestes casos sempre há controvérsias, é a velha intriga da oposição dos invejosos na academia e blá... blá... blá!) o pioneiro da/na INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL. AS MÁQUINAS PENSAM? Acho, que era assim mesmo que o desafiavam. O senso comum, costuma quando confrontado ser bem debochado. E ele, acho que respondia: Talvez não como nós, mas isto não quer dizer que não pensem. Ou que pensem de modo pior que a nós.

Enfim, por causa da correria do dia-a-dia dos calendários letivos dos semestres, (pois paralelamente ao primeiro de biblio estava também cursando uma complementação pedagógica e uma disciplina como aluna especial do programa de pós-graduação em filosofia) acabei por não me dedicar à disciplina como deveria. Contudo, hoje ao ser surpreendida positivamente pelo meu sobrinho a assistir este filme: O JOGO DA IMITAÇÃO me emocionei. E trouxe a memória muito do que li naqueles artigos que eu juro, não entendia bolufulas de nada (rsrsr). 

Deixo o trailer para vocês, certa de que com certeza se emocionarão também! ALAN TURING, um gênio, que segundo indica o filme, (eu não sabia deste detalhe) se suicidou... penso que por não conseguir dar conta desta sociedade hipócrita. Ah, você não gosta de homossexuais? Sugiro que desligue seu PC agora seu idiota! Saiba de uma: a história dos nossos modernos computadores atuais, passam necessariamente pela dedicação deste jovem. ALAN TURING - 1912-1954, pois "às vezes, aqueles de quem menos esperamos... fazem coisas que ninguém imaginou". (frase do roteirista que me deixou encafifada...). Acho que vocês se surpreenderão ao perceberem como nem sempre um pedido de perdão pode mudar o que a INFORMAÇÃO decretou e a HISTÓRIA registrou. Vale muito a pena assistir!

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O jogo da imitação